quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Consciência evita graves consequências


Anieli Barboni
Reporatgem realizada para disciplina de reportagem e entrevista do quarto semestre de jornalismo (2011).
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Violência no trânsito é principal causa da morte de jovens entre 15 e 29 anos.

Quarta-feira (5) de outubro de 2010, Ariberto Pompil Pedroso, 19 anos, acordou, tomou banho, vestiu o uniforme do serviço e recebeu uma ligação. Ao telefone Hugo Rafael Guedes Rodrigues, um amigo, pedindo carona porque estava atrasado. Ariberto pegou sua moto CG 125 Titan, dois capacetes e foi buscar Hugo para lhe dar carona.  Neste dia o trajeto foi um caminho diferente do de sempre, o rumo era o emprego do seu passageiro.  

Fábio Longo Zamoner, 19 anos, um rapaz alto, forte e brincalhão. Morava com os pais e uma irmã. Trabalhava em uma fábrica de embalagens e tinha como amigo Fabrício Augusto da Silva, 17 anos.
Os dois jovens, Fabricio e Fábio, de Tietê, interior de São Paulo, tinham uma relação de irmãos, se viam sempre e geralmente frequentavam festas e barzinhos. Sempre com bom humor.

Na manhã do dia 8 de julho de 2008, um sábado, Fabrício foi ao futebol. Neste tempo longe de casa, Fábio foi procurá-lo e o chamou para ir, naquela noite, na casa de umas amigas em Laranjal Paulista, cidade vizinha. Mas Fabrício não confirmou, pois teria outra festa e aconselhou o amigo que fosse de carro. Porém, Fábio preferia ir de moto e disse que voltaria na manhã seguinte ou naquela mesma madrugada.  Então, deram um abraço e cada um seguiu o seu rumo.
Nesta mesma noite Fabrício optou ficar em Tietê. Fábio passou em sua casa, mas não o encontrou então ele foi para Laranjal. Até o momento tudo caminhava normalmente.

Uma curva e uma queda
“Foi um acidente idiota”, disse Luana Oliveira, amiga de Ariberto Pompil, para os íntimos, Beto.
“A cidade registrou mais um acidente fatal esta semana envolvendo motociclista. O auxiliar de produção Ariberto Pompil Pedroso, de 19 anos, morreu após colidir com um veiculo no Distrito Industrial Recreio Campestre Jóia, quando estava a caminho do trabalho. O caso foi registrado como o 29º acidente fatal do ano.” Era a notícia do jornal Tribuna de Indaiá de Indaiatuba. 

Segundo testemunhas, o piloto da moto achou que daria tempo de atravessar a esquina e passou na frente do carro. O veículo bateu de frente com os jovens. Rafael, que estava na garupa, voou longe, teve várias fraturas e se recuperou. Beto caiu no chão, com o impulso da batida bateu a cabeça no poste. Faleceu na hora.

Causa da morte: traumatismo craniano. Dia: 05/10/2010. Sonho: comprar uma moto.

“Ele sabia os meus segredos, confiava todos os meus problemas nele, trocavamos mensagens, recados no Orkut. Era um rapaz forte, grande, alegre e revoltado com as injustiças. Tinha o coração bom e tinha acabado de tirar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH)”, afirmou Luana.

“Era uma semana normal como qualquer outra. Sua mãe disse que aquele dia ele queria ver todos os amigos”, falou Fabrício Augusto da Silva, amigo de Fábio Zamoner.
Fábio, conhecido também como Fabinho, voltava de Laranjal Paulista, pela a rodovia Marechal Rondon. Era mais ou menos 3h da manhã de julho, uma madrugada fria, foi em uma curva com sua moto, Bross vermelha a 60 km/h, que ele sofreu o acidente.  Exatamente como foi não se sabe, por que o caso foi arquivado. 

“As marcas na pista deixa suspeita que tinha dois carros disputando racha e pegaram o Fabinho por traz, atingiu a perna direita e ele teve uma fratura exposta na perna e na mão direita e um corte nos lábios. Até então um acidente de trânsito que para medicina seria normal. O máximo que poderia acontecer era amputar a perna dele”, disse Fabrício.

“Atropelaram ele, arrastaram a moto, o colocaram para fora da pista e o capacete ao seu lado. Fabinho estava em uma posição que não tinha lógica. A pericia comprovou que tiraram ele do local do acidente. Das 3h as 6h da manhã ele ficou lá, uma pessoa passou e parou para ver, Fabinho não estava morto, perdeu muito sangue, e estava em choque. A pessoa reconheceu o Fábio, era um amigo da família e ligaram para o corpo de bombeiros. Quando o resgate chegou colocaram a manta e tentaram tirar ele do choque”, contou o seu amigo.

Segundo a medicina, quando uma pessoa entra em choque é difícil fazer ela voltar,  90% de chances do corpo entrar em coma ou ficar com sequelas.

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“Quando chegou ao hospital de Tietê ele estava acordado e o médico disse que tinha que transferi-lo para o Hospital Santa Casa de Sorocaba, mas não havia ambulância para isto naquele momento. Ligaram para o plano de assistência funerária, mas como não era transporte em maca, a única chance seria os bombeiros. Porém, era contra as regras os bombeiros levar pacientes de uma cidade para outra. Conseguiram então ajuda do resgate Colinas, isto já era às 7h30. No caminho ao hospital ele sofreu parada cardíaca, o reanimaram e chegou ao hospital de Sorocaba com vida e inconsciente.

A sala de cirurgia estava pronta e 40 minutos depois o médico apareceu e disse que, já estava a trinta minutos tentando reanimá-lo, mas infelizmente, se tivessem chegado uma hora antes, talvez ele perdesse a perna, mas ficaria bem. Os seus órgãos foram doados”, informou Fabrício.

Causa da morte: parada cardiorrespiratória. Dia: 08/07/2008. Sonho: ser feliz, comprar uma casa e ter uma família feliz.

“Foi uma das piores cenas da minha vida, olhar um irmão ali [no caixão] morto. Desde, então, comecei a ter mais carinho com as pessoas, mudou a minha vida, comecei a abraçar os meus amigos e buscar mais a Deus”, disse Fabrício.

Você sabia que:
Mais de 1,3 milhões de pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito em todo o mundo. E cerca de 50 milhões de pessoas se ferem ou ficam com sequelas permanentes devido o acidente. Metade das vítimas são os usuários mais vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas.
E mais, acidentes de trânsito custam até 4% do Produto Interno Bruto de muitos países.

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Quando corretamente utilizados, cintos de segurança podem reduzir o risco de morte em um acidente em 61% e o uso obrigatório de assentos especiais para crianças nos veículos podem reduzir a morte de crianças em 35 %.

Capacetes diminuem até 45% os ferimentos fatais ou severos na cabeça.
Para 1 km/h reduzido na velocidade média, há uma queda de 2% no número de acidentes.
Reforçar leis sobre bebida e direção em todo o mundo poderia reduzir em 20% os acidentes relacionados ao álcool e, medidas simples e baratas de engenharia nas vias, como faixas de segurança, podem salvar milhares de vida. Fonte Organização Mundial da Saúde.
A vida em números
O Ministério da Justiça divulgou em maio deste ano, com base em pesquisas de 1998 a 2008, que cerca de, 63% dos jovens com idade entre 15 e 24 anos morreram vítimas da violência em todo o Brasil. Já pesquisa da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostrou no começo de 2011 que, o trânsito provocou a morte de 1.357 pessoas nas ruas de São Paulo no ano passado e, 70% das vítimas eram jovens entre 20 e 29 anos.

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Morreram 478 pessoas em acidentes de motocicletas, o que significou um aumento de 11,2% em comparação a 2009. As pessoas nas calçadas e atravessando as vias foram as maiores vítimas, com 630 mortos em 2010. O relatório apontou que, 41,8% das colisões com mortes na capital envolveram moto e carro e 14,9% foram choques entre motos e ônibus.

Em Indaiatuba, segundo a delegacia da cidade, em março deste ano foram registrados 24 acidentes com dois homicídio culposo, em abril 33 acidentes e uma vitima fatal e, em maio até as 17h30 do dia 31, foram 34 acidentes e quatro vitimas fatais. As principais causas são vias mal projetadas que não separam pedestres e veículos, falha das autoridades em leis que regulem a velocidade, bebida e direção e falta do uso do cinto de segurança e de capacetes.

Afirmando a gravidade, um artigo publicado no jornal inglês “The Times” mostrou que a violência no trânsito mata mais crianças entre 5 e 14 anos em todo o mundo do que a Aids ou Malária. Além de ser a principal causa da morte de jovens entre 15 e 29 anos.

Saiu na imprensa
A Comissão Global para a Segurança no Trânsito da ONU lançou em maio deste ano um plano de ação para 2011 a 2020, recomendando aos países membros, medidas imediatas de atenção e prevenção contra a violência no trânsito, que se revela como a principal causa de morte prematura e de ferimentos incapacitantes na população de jovens do mundo. O desafio é reduzir em 50% os índices de mortalidade.

A Assembléia Geral da ONU reconheceu os acidentes como problema de saúde global e traça diversas diretrizes e atitudes para solucionar questões simples como o não uso de capacete por motociclistas, a ausência de faixa de segurança para pedestres, entre outros. De acordo com os especialistas, se as atitudes previstas forem tomadas mais de cinco milhões de vidas poderão ser salvas até 2020. Segundo a OMS as despesas com a violência no trânsito giram entre 1 e 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) de países como o Brasil.

Responsabilidade de todos
Conhecer as leis é uma obrigação do motorista, ele é responsável pelas ações que acontece no trânsito. Infringi-las pode render multas, perda de pontuação na Carteira Nacional de habilitação (CNH), cassação da carteira e, em caso de acidentes com vítimas, o motorista corre o risco de ser acusado de homicídio doloso ou culposo.

O artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), conhecida por lei seca, estabelece como crime a condução de veículo com concentração de álcool no sangue em valor superior a 0,6 gramas por litro. Sintomas como olhos vermelhos, odor de álcool e o comportamento do motorista também são levados em consideração nas perícias.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) recomenda que as provas de embriaguez ao volante sejam feitas preferencialmente por meio de perícias, e não com o teste do bafômetro. E sugere a realização de exames clínicos e a coleta de provas testemunhais como formas mais adequadas de se comprovar o consumo de bebida alcoólica acima do permitido. Sendo que a norma para quem conduzir um veículo com alta concentração de álcool é a detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de conduzir novamente um automóvel. Quando envolve vítima fatal a pena pode aumentar de dois a quatro anos. Podendo ser aumentado de um terço a metade se o agente não possuir permissão para dirigir, se deixar de prestar socorra a vitima quando possível e se estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros.

Segundo o artigo 167 do C.T.B - O condutor ou passageiro deixar de usar o cinto de segurança  gera infração grave, penalidade com multa de R$127,69 e medida administrativa de retenção do veículo até colocação do cinto pelo infrator.

Não seguir as regras do trânsito pode trazer penalidades como: Advertência por escrito, multa, suspensão de direito de dirigir, apreensão do veículo, cassação da CNH, cassação da permição de dirigir e frequência obrigatória em curso de reciclagem da CNH.

As infrações punidas com multa classificam-se de acordo com sua gravidade e vão sendo somados no prontuário do motorista:
gravidade valor pontos
Gravíssima R$191,54 7
grave R$127,69 5
Media R$85,13 4
leve R$53,20 3
 
Toda vez que o motorista atingir 20 pontos, terá sua carteira suspensa de um mês a um ano. Para algumas infrações, em razão de sua gravidade e consequências, a multa poderá ser multiplica em três vezes ou até mesmo cinco vezes. Fonte CFC Educatran – Indaiatuba, junho de 2011.

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“Ele dizia que ia estar comigo até o último suspiro, mas quem deu o último foi ele. Sinto falta por cada barulho, e sinto por cada lágrima. É difícil aceitar que, algo que sempre foi seu, não é mais.” Luana Oliveira.

“Sabe quando você quer muito uma coisa, ganha e depois perde? Foi assim e é assim que me sinto.” 
Fabrício Augusto da Silva.


 
Como pessoa, Anieli, recomendo este vídeo!



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