Anieli Barboni
Reporatgem realizada para disciplina de reportagem e entrevista do quarto semestre de jornalismo (2011).
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Violência
no trânsito é principal causa da morte de jovens entre 15 e 29 anos.
Quarta-feira (5) de outubro de 2010, Ariberto Pompil
Pedroso, 19 anos, acordou, tomou banho, vestiu o uniforme do serviço e recebeu
uma ligação. Ao telefone Hugo Rafael Guedes Rodrigues, um amigo, pedindo carona
porque estava atrasado. Ariberto pegou sua moto CG 125 Titan, dois capacetes e
foi buscar Hugo para lhe dar carona.
Neste dia o trajeto foi um caminho diferente do de sempre, o rumo era o
emprego do seu passageiro.
Fábio Longo Zamoner, 19
anos, um rapaz alto, forte e brincalhão. Morava com os pais e uma irmã. Trabalhava
em uma fábrica de embalagens e tinha como amigo Fabrício Augusto da Silva, 17
anos.
Os dois jovens, Fabricio e Fábio, de Tietê, interior de
São Paulo, tinham uma relação de irmãos, se viam sempre e geralmente
frequentavam festas e barzinhos. Sempre com bom humor.
Na manhã do dia 8 de julho de 2008, um sábado, Fabrício foi
ao futebol. Neste tempo longe de casa, Fábio foi procurá-lo e o chamou para ir,
naquela noite, na casa de umas amigas em Laranjal Paulista, cidade vizinha. Mas
Fabrício não confirmou, pois teria outra festa e aconselhou o amigo que fosse
de carro. Porém, Fábio preferia ir de moto e disse que voltaria na manhã
seguinte ou naquela mesma madrugada. Então,
deram um abraço e cada um seguiu o seu rumo.
Nesta mesma noite Fabrício optou ficar em Tietê. Fábio
passou em sua casa, mas não o encontrou então ele foi para Laranjal. Até o
momento tudo caminhava normalmente.
Uma
curva e uma queda
“Foi um acidente idiota”, disse Luana Oliveira, amiga de
Ariberto Pompil, para os íntimos, Beto.
“A cidade
registrou mais um acidente fatal esta semana envolvendo motociclista. O
auxiliar de produção Ariberto Pompil Pedroso, de 19 anos, morreu após colidir
com um veiculo no Distrito Industrial Recreio Campestre Jóia, quando estava a
caminho do trabalho. O caso foi registrado como o 29º acidente fatal do ano.” Era a notícia do jornal
Tribuna de Indaiá de Indaiatuba.
Segundo testemunhas, o piloto da moto achou que daria
tempo de atravessar a esquina e passou na frente do carro. O veículo bateu de
frente com os jovens. Rafael, que estava na garupa, voou longe, teve várias
fraturas e se recuperou. Beto caiu no chão, com o impulso da batida bateu a
cabeça no poste. Faleceu na hora.
Causa da morte: traumatismo craniano. Dia: 05/10/2010.
Sonho: comprar uma moto.
“Ele sabia os meus segredos, confiava todos os meus
problemas nele, trocavamos mensagens, recados no Orkut. Era um rapaz forte,
grande, alegre e revoltado com as injustiças. Tinha o coração bom e tinha acabado
de tirar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH)”, afirmou Luana.
“Era uma semana normal como qualquer outra. Sua mãe
disse que aquele dia ele queria ver todos os amigos”, falou Fabrício Augusto da Silva, amigo de Fábio Zamoner.
Fábio, conhecido também como Fabinho, voltava de Laranjal
Paulista, pela a rodovia Marechal Rondon. Era mais ou menos 3h da manhã de
julho, uma madrugada fria, foi em uma curva com sua moto, Bross vermelha a 60
km/h, que ele sofreu o acidente. Exatamente
como foi não se sabe, por que o caso foi arquivado.
“As marcas na pista deixa suspeita que tinha dois carros
disputando racha e pegaram o Fabinho por traz, atingiu a perna direita e ele
teve uma fratura exposta na perna e na mão direita e um corte nos lábios. Até
então um acidente de trânsito que para medicina seria normal. O máximo que
poderia acontecer era amputar a perna dele”, disse Fabrício.
“Atropelaram ele, arrastaram a moto, o colocaram para
fora da pista e o capacete ao seu lado. Fabinho estava em uma posição que não
tinha lógica. A pericia comprovou que tiraram ele do local do acidente. Das 3h
as 6h da manhã ele ficou lá, uma pessoa passou e parou para ver, Fabinho não
estava morto, perdeu muito sangue, e estava em choque. A pessoa reconheceu o
Fábio, era um amigo da família e ligaram para o corpo de bombeiros. Quando o
resgate chegou colocaram a manta e tentaram tirar ele do choque”, contou o seu
amigo.
Segundo a medicina, quando uma pessoa
entra em choque é difícil fazer ela voltar,
90% de chances do corpo entrar em coma ou ficar com sequelas.
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“Quando chegou ao hospital de Tietê ele estava acordado e
o médico disse que tinha que transferi-lo para o Hospital Santa Casa de
Sorocaba, mas não havia ambulância para isto naquele momento. Ligaram para o
plano de assistência funerária, mas como não era transporte em maca, a única
chance seria os bombeiros. Porém, era contra as regras os bombeiros levar pacientes
de uma cidade para outra. Conseguiram então ajuda do resgate Colinas, isto já
era às 7h30. No caminho ao hospital ele sofreu parada cardíaca, o reanimaram e
chegou ao hospital de Sorocaba com vida e inconsciente.
A sala de cirurgia
estava pronta e 40 minutos depois o médico apareceu e disse que, já estava a
trinta minutos tentando reanimá-lo, mas infelizmente, se tivessem chegado uma
hora antes, talvez ele perdesse a perna, mas ficaria bem. Os seus órgãos foram
doados”, informou Fabrício.
Causa
da morte: parada cardiorrespiratória. Dia: 08/07/2008. Sonho: ser feliz,
comprar uma casa e ter uma família feliz.
“Foi uma das piores cenas da minha vida, olhar um irmão
ali [no caixão] morto. Desde, então, comecei a ter mais carinho com as pessoas,
mudou a minha vida, comecei a abraçar os meus amigos e buscar mais a Deus”,
disse Fabrício.
Você
sabia que:
Mais de 1,3 milhões de pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito
em todo o mundo. E cerca de 50 milhões de pessoas se ferem ou ficam com sequelas
permanentes devido o acidente. Metade das vítimas são os usuários mais
vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas.
E mais, acidentes de trânsito custam até 4% do Produto Interno Bruto de muitos países.
E mais, acidentes de trânsito custam até 4% do Produto Interno Bruto de muitos países.
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Quando corretamente utilizados, cintos de segurança
podem reduzir o risco de morte em um acidente em 61% e o uso obrigatório de
assentos especiais para crianças nos veículos podem reduzir a morte de crianças
em 35 %.
Capacetes diminuem até 45% os ferimentos fatais ou severos na cabeça.
Para 1 km/h reduzido na velocidade média, há uma queda de 2% no número de acidentes.
Reforçar leis sobre bebida e
direção em todo o mundo poderia reduzir em 20% os acidentes relacionados ao
álcool e, medidas simples e baratas de engenharia nas vias, como faixas de
segurança, podem salvar milhares de vida. Fonte Organização Mundial da Saúde.
A vida em números
O Ministério da Justiça divulgou em maio deste ano, com base em
pesquisas de 1998 a 2008, que cerca de, 63% dos jovens com idade entre 15 e 24
anos morreram vítimas da violência em todo o Brasil. Já pesquisa da Companhia
de Engenharia de Tráfego (CET) mostrou no começo de 2011 que, o trânsito
provocou a morte de 1.357 pessoas nas ruas de São Paulo no ano passado e, 70%
das vítimas eram jovens entre 20 e 29 anos.
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Morreram 478 pessoas em acidentes de motocicletas, o que significou um
aumento de 11,2% em comparação a 2009. As pessoas nas calçadas e atravessando
as vias foram as maiores vítimas, com 630 mortos em 2010. O relatório apontou
que, 41,8% das colisões com mortes na capital envolveram moto e carro e 14,9% foram
choques entre motos e ônibus.
Em Indaiatuba, segundo a delegacia da cidade, em março deste ano foram
registrados 24 acidentes com dois homicídio culposo, em abril 33 acidentes e
uma vitima fatal e, em maio até as 17h30 do dia 31, foram 34 acidentes e quatro
vitimas fatais. As principais causas são vias mal projetadas que não separam
pedestres e veículos, falha das autoridades em leis que regulem a velocidade,
bebida e direção e falta do uso do cinto de segurança e de capacetes.
Afirmando a gravidade, um artigo publicado no jornal inglês “The
Times” mostrou que a violência no trânsito mata mais crianças entre 5 e 14 anos
em todo o mundo do que a Aids ou Malária. Além de ser a principal causa da
morte de jovens entre 15 e 29 anos.
Saiu na imprensa
A
Comissão Global para a Segurança no Trânsito da ONU lançou em maio deste ano um
plano de ação para 2011 a 2020, recomendando aos países membros, medidas
imediatas de atenção e prevenção contra a violência no trânsito, que se revela
como a principal causa de morte prematura e de ferimentos incapacitantes na
população de jovens do mundo. O desafio é reduzir em 50% os índices de
mortalidade.
A Assembléia Geral da ONU reconheceu os
acidentes como problema de saúde global e traça diversas diretrizes e atitudes
para solucionar questões simples como o não uso de capacete por motociclistas,
a ausência de faixa de segurança para pedestres, entre outros. De acordo com os
especialistas, se as atitudes previstas forem tomadas mais de cinco milhões de
vidas poderão ser salvas até 2020. Segundo a OMS as despesas com a violência no
trânsito giram entre 1 e 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) de países como o Brasil.
Responsabilidade de todos
Conhecer as leis é uma obrigação do motorista, ele é responsável pelas
ações que acontece no trânsito. Infringi-las pode render multas, perda de
pontuação na Carteira Nacional de habilitação (CNH), cassação da carteira e, em
caso de acidentes com vítimas, o motorista corre o risco de ser acusado de
homicídio doloso ou culposo.
O artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), conhecida por lei
seca, estabelece como crime a condução de veículo com concentração de álcool no
sangue em valor superior a 0,6 gramas por litro. Sintomas como olhos vermelhos,
odor de álcool e o comportamento do motorista também são levados em
consideração nas perícias.
O
Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Procuradoria-Geral da República (PGR)
recomenda que as provas de embriaguez ao volante sejam feitas preferencialmente
por meio de perícias, e não com o teste do bafômetro. E sugere a realização de
exames clínicos e a coleta de provas testemunhais como formas mais adequadas de
se comprovar o consumo de bebida alcoólica acima do permitido. Sendo
que a norma para quem conduzir um veículo com alta concentração de álcool é a
detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de conduzir
novamente um automóvel. Quando envolve vítima fatal a pena pode aumentar de
dois a quatro anos. Podendo ser aumentado de um terço a metade se o agente não
possuir permissão para dirigir, se deixar de prestar socorra a vitima quando
possível e se estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros.
Segundo
o artigo 167 do C.T.B - O condutor ou passageiro deixar de usar o cinto de
segurança gera infração grave,
penalidade com multa de R$127,69 e medida administrativa de retenção do veículo
até colocação do cinto pelo infrator.
Não
seguir as regras do trânsito pode trazer penalidades como: Advertência por
escrito, multa, suspensão de direito de dirigir, apreensão do veículo, cassação
da CNH, cassação da permição de dirigir e frequência obrigatória em curso de
reciclagem da CNH.
| gravidade | valor | pontos |
| Gravíssima | R$191,54 | 7 |
| grave | R$127,69 | 5 |
| Media | R$85,13 | 4 |
| leve | R$53,20 | 3 |
Toda vez que o motorista atingir 20 pontos, terá sua carteira suspensa
de um mês a um ano. Para algumas infrações, em razão de sua gravidade e consequências,
a multa poderá ser multiplica em três vezes ou até mesmo cinco vezes. Fonte CFC
Educatran – Indaiatuba, junho de 2011.
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“Ele dizia que ia estar comigo até o último suspiro, mas
quem deu o último foi ele. Sinto falta por cada barulho, e sinto por cada
lágrima. É difícil aceitar que, algo que sempre foi seu, não é mais.” Luana Oliveira.
“Sabe quando você quer muito uma coisa, ganha e depois
perde? Foi assim e é assim que me sinto.”
Fabrício
Augusto da Silva.
Como pessoa, Anieli, recomendo este vídeo!





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