segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Memórias de Uma Vida

Memórias de Uma Vida
Dedico para um casal muito fofo, Hamilton Silva e Raquel Aparecida e a um senhor muito simpático, Benedito Lopes.

Hamilton e Raquel

Benedito e Hamilton

Seu Benedito Lopes, 66 anos, é um sim­pático aposentado, que está há dois anos no Lar de Velhos Emmanuel, em Indaiatu­ba. Foi ele que apresentou o casal que se destaca pela história de vida.

Vivemos em um mundo veloz, baseado na competição. Falar que não tem tempo para uma boa conversa, para relembrar as coisas é regra. Mas não é assim. Nunca é demais abrir mão de um tempo para visitar uma casa de idosos, como o Lar de Velhos Em­manuel, em Indaiatuba. Lá conversei com o casal Hamilton Silva Oliveira, de 80 anos e Raquel Aparecida Pádua Oliveira, de 90 anos. Ambos estão no local há oito meses. Aqui é o céu. Só saio caso me man­dem embora”, diz ele.

Hamilton, amante de uma conversa, nos revela um pouco das memórias de sua vida. Filho de judeus, nasceu e cresceu na Aclimação, bairro de São Paulo, a 3 km da Praça da Sé. Filho mais novo de uma pro­fessora de Francês e de um ex-passista da Escola de Samba Portela, diz que na infân­cia não gostava de ter amigos e só brincava com seus irmãos e primos.
Estudou no Colégio Agostiniano, termi­nou o colegial e ingressou no curso de His­tória da Universidade de São Paulo (USP). “Se eu fosse você não lecionava, porque sua dicção não é boa e o aluno tem que entender o que o professor esta falando”, foi o que Hamilton ouviu de sua professora de orientação, quando disse que queria ser professor de História. “Então decidi sair da universidade”, afirmou ele.

Hamilton trabalhou na Casa de Cor­retagem Safra, hoje um dos dez maiores bancos do Brasil. Lá ele trocava Cruzeiro por Dólar. Também trabalhou na Mosaico Engenharia, organizando a documentação das obras de construção para o governo. Depois trabalhou em alguns despachantes.
Em sua juventude não era fã de cinema e nem era namorador, mas gostava muito de dançar Tango e Forró. Como seu pai lhe ensinava: “Não é preciso ser bonito, nem ter muita lábia para conquistar uma mulher, basta saber conduzir ela na dança.”

Sua esposa foi freira durante 28 anos, tendo entrado no convento aos 17 anos e saído depois dos 45 anos. Hamilton diz que sempre que passava em frente ao aparta­mento de Raquel a ouvia tocar piano e se apaixonou. Um amigo apresentou os dois e depois de 5 meses se casaram. Segundo ele, não casou por amor, pois não acredi­ta nesse sentimento. “O amor só existe de Deus para o homem. O homem não ama o que ele sente é paixão e desejo”, filosofou.

Casados, não quiseram ter filhos e fo­ram embora da Aclimação. Passaram por várias cidades, como Itapeva, onde ele foi sacristão e ela tocava no coral da Igreja Católica. Passaram também por Extrema, na divisa de São Paulo com Minas Gerais e por Cássia e Campanha, no sul de Minas Gerais.
Após descobrir que tinha um câncer de próstata, o médico os aconselhou a procu­rar um asilo, para que pudessem receber melhores cuidados. E vieram para o Lar Emmanuel, onde demonstram gostar muito de morar.

Raquel é tímida e disse que adora as­sistir televisão. Chama a atenção a pre­sença de dois quadros de fotos antigas na parede do quarto de Raquel. Um deles, a mostra quando era freira. Na época se cha­mava Irmã Cruz. No outro, uma bailarina. Hamilton entra na conversa e diz que adora balé. Também comenta que gosta de ser fo­tografado beijando Raquel.


                                  Fotos: Anieli Barboni
 
Visite- O Lar de Velhos Emmanuel existe desde 1964 e fica na rua Pedro Gon­çalves, 106, Jardim Pau Preto, Indaiatuba. As visitas podem ser feitas aos domingos, das 14h às 16h. Contatos pelo telefone (19) 3834 3802.

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